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Saúde mental das mães negras no Brasil


Hoje, gostariamos de chamar a atenção de todos vocês para um problema grave e frequentemente negligenciado em nosso país: a saúde mental das mães negras no Brasil.

Infelizmente, o racismo ainda é uma realidade profundamente enraizada no Brasil, permeando nossas ações, decisões e instituições. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população brasileira é composta por pretos ou pardos. No entanto, apesar de serem a maioria da população, essas pessoas ainda estão à margem da sociedade em muitos aspectos. E quando falamos de mulheres negras, a situação é ainda mais desafiadora. As mulheres negras são expostas a várias formas de opressão como racismo, sexismo e classismo.


Essas opressões tornam a realidade das mulheres negras no Brasil única e particularmente desafiadora. Nós somos, por exemplo, a maioria das vítimas de feminicídio e sofremos mais com a desigualdade social.

Especificamente em relação à maternidade, as mulheres negras representam 62% das mães solteiras no Brasil. Elas enfrentam níveis mais altos de pobreza e têm acesso limitado a serviços de saúde de qualidade e, apesar de a violência obstétrica ser uma agressão de gênero, ela é, sobretudo, uma violência racial, uma vez que 60% da mortalidade materna no país tem como vítima as mulheres negras e somente 27% delas possuem acompanhamento durante o parto, enquanto nas mulheres brancas o percentual é de 46,2%, como evidencia a campanha realizada pelo Ministério da saúde denominada de SUS sem racismo em 2014. Outra pesquisa realizada na monografia Raça e violência obstétrica no Brasil (LIMA, 2016, p. 9) possui estatísticas similares, nas quais mulheres negras e pardas são as que mais passam por um processo de desumanização

Além disso, de acordo com o IBGE, as mulheres negras enfrentam uma taxa de desemprego maior em comparação às mulheres brancas.

Essa realidade revela um quadro alarmante de exploração econômica, exclusão social e racismo institucional. E aqui, precisamos falar de um dos pilares que sustentam essa realidade: o capitalismo. Muitas vezes, este sistema resulta em um modelo de saúde baseado na capacidade de pagamento. Isso pode fazer com que as mulheres negras, especialmente as de baixa renda, tenham acesso limitado a serviços de saúde de qualidade, incluindo saúde mental. E mesmo quando conseguem acesso, elas podem enfrentar discriminação racial e de gênero, o que pode resultar em cuidados de qualidade inferior.

Todos esses fatores geram um nível extremo de estresse e ansiedade, afetando diretamente a saúde mental dessas mães.

Nós, do Coletivo Negro Minervino de Oliveira, acreditamos que a luta de classe está no cerne dessa questão. As injustiças que enfrentamos são parte de um sistema que privilegia a acumulação de riqueza por uma minoria, enquanto a maioria da população, e em particular as mães negras, luta para sobreviver.

Portanto, conclamo a todos nós, enquanto sociedade, a nos lembrarmos das dificuldades que as mães negras enfrentam e a fazermos tudo ao nosso alcance para apoiá-las. Precisamos reconhecer e valorizar a individualidade de cada mulher negra e criar um ambiente onde elas possam se expressar livremente e sem medo de julgamento.

A luta pela igualdade racial e de classe não é apenas a luta das mães negras ou da população negra, mas uma luta de toda a sociedade. Acreditamos firmemente que podemos fazer mais e fazer melhor. E essa luta começa aqui, hoje, com cada um de nós.


Coletivo Negro Minervino de Oliveira - coletivo aberto com atuação voltada a população negra e aos movimentos de luta contra o racismo.


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