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Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ e maternidade

Atualizado: 30 de jun. de 2023

Todo 28 de junho a comunidade LGBTQIAPN+ se reúne para celebrar o orgulho em marchas, passeatas, protestos e festas. O dia é um marco histórico após a Revolta de Stonewall, nos Estados Unidos, quando em 1969 um grupo de policiais invadiu o bar Stonewall em Nova York, prendendo pessoas transgêneras, drags queens e drag kings, o que na época era proibido. A batida policial despertou a reação das pessoas e um levante da comunidade queer durante quatro dias.


O movimento LGBTQIAPN+ acumula muitos anos de luta e resistência para que corpos de sexualidade dissidentes possam existir e usufruir dos direitos garantidos na constituição, a despeito dos inúmeros preconceitos e violências que a comunidade sobrevive.


O movimento já foi apenas “gay”, posteriormente GLS, e atualmente a sigla acumula mais identidades e orientações sexuais, reafirmando o compromisso da comunidade em ser coerentemente inclusiva e politicamente ativa. Para quem não está habituado à colorida sopa de letrinhas, vamos lá:


L de lésbicas, mulheres que sentem atração sexual por mulheres

G de gays, homens que sentem atração sexual por homens

B de bissexuais, pessoas que sentem atração por dois gêneros, ou seja, mulheres que sentem atração por mulher e homens; homens que sentem atração por mulheres e homens

T de transexual ou travesti, ou seja, pessoas que não se identificam com o gênero designado ao nascimento ou travesti, que é uma identidade sexual brasileira que não necessariamente está relacionada ao gênero

Q de queer, que em tempos passados era um xingamento, foi incorporada ao vocabulário e designa todas as pessoas que não se encaixam na heterocisnormatividade

I de intersexo, ou seja, pessoas que têm biologicamente características femininas e masculinas

A de assexual, pessoas que não têm desejo ou atração sexual por outras

P de pansexual, pessoas que sentem atração por pessoas independente do gênero ou orientação sexual

N de não-binárias, ou seja, pessoas que não são cisgêneras, seu gênero está além ou entre a convencionalidade de homem ou mulher e pode defini-lo com outro nome e de maneira totalmente diferente, englobando um guarda-chuva maior que o da transgeneridade.

E por fim, o +, que simboliza as infinitas possibilidades de se relacionar com o gênero e orientação sexual.


Curioso notar que o L vai na frente: as mulheres lésbicas foram pioneiras na produção de conhecimento e saberes pela comunidade, na luta por direitos e na consolidação de políticas públicas.


Atualmente, no Brasil, há 7 leis que amparam os direitos das pessoas LGBTQIAPN+:

  • direito a união estável, de 2011

  • direito ao casamento civil, também de 2011

  • direito de detentas transexuais serem detidas em presídios femininos

  • criminalização da homofobia e transfobia, sendo equiparados a crimes de racismo

  • direito a retificação do nome e do gênero para pessoas transgênero, independente de cirurgias de transgenitalização ou outros procedimentos

  • direito a doar sangue, de 2020

  • direito a adoção de crianças por casais homoafetivos


Embora a possibilidade de se formar família, recentemente amparada por jurisprudência, exista e seja uma grande conquista da comunidade, essa não tem sido uma escolha fácil. A maternidade lésbica, trans ou bissexual ainda sofre com inúmeras violências e preconceitos na lógica que invisibiliza e invalida a experiência materna dessas mulheres.


A gestação na comunidade LGBTQIAPN+ pode se dar de muitas formas, assim como a constituição familiar, podendo ser compartilhada por técnicas de reprodução assistida quanto natural.


Entre as mães lésbicas, é comum o relato de invisibilidade da mãe não gestante. As mulheres-mães que não gestam são frequentemente excluídas da experiência do maternar, invalidadas e questionadas do papel paterno. Quando essas famílias buscam auxílio psicológico, não é incomum que a “ausência” paterna seja colocada como a questão fundamental e central de qualquer problema na constituição familiar ou nas crianças - o que é só mais um preconceito.


Mulheres transexuais femininas são frequentemente sexualizadas e vistas como promíscuas, algo que é considerado incompatível com a maternidade. Mais um preconceito para a conta. Essas mulheres narram que suas maternidades são muito mais do que não aceitas, elas são negadas.


Homens transsexuais que gestam relatam experiências de violências obstétricas graves diante do corpo masculino grávido, além de assistência profissional desatualizada em relação a hormonização, mastectomia masculinizadora e outros procedimentos.


Embora as conquistas sejam muitas, há um caminho árduo e longo até que a diversidade humana seja integralmente contemplada, seja na perinatalidade, seja na vida como um todo. A luta não pára e enquanto seguimos adiante, celebramos o direito de maternar em nossas singularidades, inclusive as sexuais!

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