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Como nasceu a campanha Maio Furta-cor?



Falar do nascimento do Maio Furta-cor é falar de uma campanha gestada por 6 mãos maternas, cuidadosas e engajadas na mudança do mundo: Nicole, Patrícia e Bruna.

O encontro entre nós três ocorreu nas trincheiras da maternidade: grávidas do Gael e do Tom, Bruna e a Nicole se conheceram na aula de yoga para gestantes. Bruna era a mãe de segunda viagem, que cheia de entusiasmo e verdades de um futuro próximo, estendia a mão e os ouvidos para escutar os devaneios da Nicole na sua primeira viagem rumo à maternidade.

Já Nicole e Patrícia cruzaram suas causas maternas e clínicas no lugar mais propício para se nascer uma campanha: Maio Furta-cor: na porta da creche, num fim de tarde de 2018. O Maio nasceu desse encontro potente e despretensioso na porta de uma escola infantil. Não sabíamos da proporção que tudo tomaria, mas apostamos no potencial daquela ideia. Sabíamos apenas que as paredes do setting precisavam ser ampliadas e que a voz das nossas pacientes – e as nossas próprias – precisavam ser ouvidas. E assim temos feito. Nos empenhamos em sermos, com a campanha, porta voz de gerações de mães silenciadas, sofridas, invisibilizadas.

Era 2020, o ano do apocalipse materno, o primeiro ano da nossa revolução materna e do cuidado. Nicole foi a mente inquieta de onde partiu a ideia de uma campanha nacional colorida em prol da saúde mental materna. Patrícia foi a força impulsionadora e articuladora da causa, quem apostou e acreditou no seu potencial e assumiu pra si.


E assim, aquilo que no princípio era apenas impulso e desejo por mudança pulsando em nossas veias, foi tomando forma. Depois de longas conversas, discussões de casos clínicos e pesquisa enquanto nossas crianças brincavam no jardim das nossas casas, montamos o esboço daquilo que em poucos dias a Bruna- artista de alma- eternizaria em logo e em arte.

Bruna conseguiu condensar em logo três elementos fundamentais para a campanha: o laço, a pérola e a concha. O laço é uma famosa referência das campanhas de conscientização, nascida nos anos 90 nos EUA com a campanha da AIDS. A pérola faz alusão ao símbolo do amor e está ligada ao princípio Yin da filosofia chinesa, a feminilidade acolhedora e criativa. A imagem da pérola dentro da sua concha conta sobre o esforço que se faz para adquiri-la, o mesmo esforço que faz parte da busca pela verdade, pelo autoconhecimento.


A campanha foi gestada em 2020 e demos luz ao projeto no dia 1 de maio de 2021. Momento em que o Brasil Vivia os piores dias da pandemia e em que a desesperança assolava a todos.


100% online e autofinanciada, tivemos 30 dias de campanha e uma programação super robusta desde o lançamento, que contou com a presença de grandes referências da perinatalidade, como Maria Tereza Maldonado (carinhosamente por nós chamada de Abuela), Alexandre Coimbra Amaral (considerado padrinho da campanha) e Thais Basile. Não somente a cerimônia foi um Grande sucesso, como já no dia 02 de Maio de 2021 já tínhamos o primeiro projeto de lei estadual Maio Furta-cor protocolado no Paraná.


Três anos se passaram e desde então nunca mais paramos de trabalhar, militar e propagar o maio. Pois pensar e executar cada detalhe dessa campanha traz sentido às nossas vidas, às nossas práticas e ao nosso maternar. E enquanto doamos nosso tempo, nosso suor e lágrimas à campanha, nossos filhos crescem e vivem a campanha em meio às suas infâncias e aprendem desde a primeiríssima infância que precisam ser a mudança que desejam pro mundo.


Ainda somos uma campanha recém-nascida, de iniciativa privada, criada por duas mães na porta de uma creche. Mas já possuímos um imenso alcance, somos potentes e já aprovamos mais de 50 leis maio furta-cor em todo o país!


Conseguimos fazer história e preencher as câmaras municipais e assembleias legislativas com representatividade materna. Vocês conseguem calcular o impacto disso na história recente do nosso país?


Estamos cada dia mais certas de que a revolução é coletiva, colaborativa, materna e do cuidado.

É emocionante demais assistir uma campanha, criada na porta de uma escola, tomar proporções como as que assistimos hoje. Nunca antes na história do nosso país um movimento materno teve tamanho alcance, unindo pesquisadores, instituições, vereadores, deputados, profissionais de saúde, mães, crianças e famílias em prol de um objetivo comum.



Sim, estamos construindo história e mudando o rumo da assistência à saúde mental materna em nosso país. Para isso contamos com o engajamento de cada cidadão para que nossa causa se materialize em ações e em políticas públicas de saúde que assistam à integralidade das mulheres-mães. Afinal, a saúde mental materna é uma questão de todos!


Só é possível mudar o mundo cuidando de quem cuida de todo o mundo!


Nicole Cristino, psicóloga perinatal, idealizadora da campanha.

@acolhedoramente

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