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Mortalidade Materna

Oh, pedaço de mim

Oh, metade arrancada de mim

Leva o vulto teu

Que a saudade é o revés de um parto


Saudade- Chico Buarque



A morte de uma mãe é um revés na cadência da vida. Quando essa perda ocorre prematuramente, em um momento que deveria estar intrinsecamente ligado à celebração da vida, nos encontramos sem palavras, não temos inscrição simbólica que nos ajude a dar conta de assimilar, nos resta a perplexidade, o nó na garganta, o vazio das histórias não vividas, uma luz que se apaga no silêncio do: poderia ser qualquer uma de nós.


A morte materna é definida como o óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, independentemente da duração ou da localização da gestação, devido a qualquer causa relacionada à gravidez ou agravada por ela. Essa definição inclui complicações diretas da gravidez, como hipertensão gestacional, hemorragias, infecções e complicações no parto, bem como doenças pré-existentes agravadas pela gestação. A morte materna é um indicador importante da qualidade dos cuidados de saúde materna em uma determinada região ou país e é considerada uma preocupação de saúde pública em nível global.


Segundo a Organização Panamericana de saúde, a mortalidade materna é inaceitavelmente alta. Diariamente, aproximadamente 830 mulheres perdem suas vidas em decorrência de complicações relacionadas à gravidez ou ao parto ao redor do mundo. Estima-se que, somente em 2015, cerca de 303 mil mulheres tenham falecido durante e após a gestação. Em 2021, a cada 100 mil nascimentos, 107 mães morreram no Brasil durante a gravidez ou nos 42 dias seguintes ao parto. São números assustadores.


Mães não são números, cada mãe que perdemos é uma perda irreparável, deixando uma marca profunda na alma de cada órfão que fica. Não podemos permitir que a morte materna seja apenas mais uma estatística. Cada mãe que parte precocemente deixa para trás memórias não vividas e uma ausência perpétua.


É essencial destacar as principais complicações que contribuem para cerca de 75% de todas as mortes maternas:


1. Hipertensão

2. Hemorragias graves

3. Infecções

4. Complicações no parto

5. Abortos inseguros


Além dessas complicações, outras causas de morte materna estão relacionadas a doenças preexistentes, como malária e infecção pelo HIV durante a gravidez. É fundamental abordar cada uma dessas causas com a devida atenção e investir em recursos e políticas públicas de saúde que assistam à integralidade da saúde materna.


Somente por meio de um esforço conjunto, envolvendo governos, profissionais de saúde, organizações e a sociedade como um todo, poderemos reduzir significativamente os índices de mortalidade materna e garantir que todas as mulheres tenham acesso a cuidados de saúde seguros durante o período perinatal.


Hoje reafirmamos o nosso compromisso com a luta pela assistência à integralidade da saúde materna: nenhuma mãe a menos!


Fonte: Organização Panamericana de Saúde


Nicole Cristino





Fonte: Organização Panamericana de Saúde

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